A manhã era de inverno. Apesar do sol, o vento frio penetrava a janela da sala. Acordei quentinha com o pijama de listras flanelado que minha mãe havia comprado anos atrás. Era tão aconchegante aquele pijama, mais parecia uma colcha de lã embalada no meu corpo. Por isso, mesmo com o passar do tempo e crescendo meus 4 cm que eu tanto me orgulhava, não o largava nas noites frias de inverno. Estava um pouco mais 'fofinha", o pijama, que já havia sido um pouco largo, agora, apesar do comprimento, ficava certinho no corpo. Eu o adorava. O peso a mais, fruto de overdoses de chocolates e cachorros-quentes, minha mãe chama de excesso de fofura. Nunca cheiguei de fato a me preocupar com isso. Aliás, aos 13 anos, que preocupação se tem em vida? Acho que só me preocupava mesmo em dar comida para as tartarugas, que tinham triplicado de tamanho e mal cabiam no aquário (coitadinhas!!), em fazer o dever de casa e poder ir passear no shopping quando a sexta chegasse.
O shopping foi a maior conquista da minha infância. Eu podia ir sozinha!! Lá dentro, eu era independente. Podia rodar por aquele lugar com minha turma de amigos sem que minha mãe tivesse por perto. Podia decidir com o pouco dinheirinho que tinha de mesada qual brinquedo ir na sessão de jogos. Será que gasto tudo em um só ou aproveito uns 3 ou 4 jogos? EU poderia tomar essa decisão. Ninguém precisaria permitir ou não, o dinheiro era meu e ninguém, naquele momento, me dizia o que fazer com ele. Ali, eu era dona de mim mesma. Não era muita coisa, era algo em torno de duas horas até que minha mãe ligasse para saber se estava tudo bem. Trim... trim... O telefone tocou. - Sim mãe, está tudo bem. Pronto, desliguei. Minha independência voltou. Passou-se mais uma hora. Minha mãe agora chegou para me buscar e tenho que voltar pra casa. Mas, depois de ir ao shopping, meu dia estava ganho. Aliás, a semana toda até chegar a próxima sexta-feira.
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