sábado, 28 de maio de 2011

Vincent

Vincent

As palpebras cirradas
...levemente...
ignoram excessos na paisagem
pintura e cor que se fundem na carne
....tremula
Do pintor e da figura
Viva e rebelde
(desenha por si mesma)
Aos poucos, o traço...
De repente, a cor,
E por fim, o tom...
....vinho tinto.
Ou vermelho cor de rosa
 Vincent ousa apenas um toque
Um retoque entre os lábios
Discreto.
Traça-os doces em seus tatos
Degustam-nos seus desejos
Lambuzam os corpos, as mãos, o quadro

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Um pouco de poesia...


Íris

Em seus olhos um encanto
Um mistério por trás do manto
Segredos de um mundo resguardado
Assegurado
Onde pêlos negros escondem a Íris
Escorrem sobre o mistério da face
Passe
Lacram as portas de sonhos
Vedam meu mundo de desejos
Peneiram descompassos
E passos
À tempo controlam o tempo
O relógio em seu ritmo
Andando sem antecipar a hora
Agora
E nos olhos fica o encanto
Persistente em seu manto
Que recheio de afeto
Delicado e discreto
Concreto

Coisas de menina

A manhã era de inverno. Apesar do sol, o vento frio penetrava a janela da sala. Acordei quentinha com o pijama de listras flanelado que minha mãe havia comprado anos atrás. Era tão aconchegante aquele pijama, mais parecia uma colcha de lã embalada no meu corpo. Por isso, mesmo com o passar do tempo e crescendo meus 4 cm que eu tanto me orgulhava, não o largava nas noites frias de inverno. Estava um pouco mais 'fofinha", o pijama, que já havia sido um pouco largo, agora, apesar do comprimento, ficava certinho no corpo. Eu o adorava. O peso a mais, fruto de overdoses de chocolates e cachorros-quentes, minha mãe chama de excesso de fofura. Nunca cheiguei de fato a me preocupar com isso. Aliás, aos 13 anos, que preocupação se tem em vida? Acho que só me preocupava mesmo em dar comida para as tartarugas, que tinham triplicado de tamanho e mal cabiam no aquário (coitadinhas!!), em fazer o dever de casa e poder ir passear no shopping quando a sexta chegasse.
O shopping foi a maior conquista da minha infância. Eu podia ir sozinha!! Lá dentro, eu era independente. Podia rodar por aquele lugar com minha turma de amigos sem que minha mãe tivesse por perto. Podia decidir com o pouco dinheirinho que tinha de mesada qual brinquedo ir na sessão de jogos. Será que gasto tudo em um só ou aproveito uns 3 ou 4 jogos? EU poderia tomar essa decisão. Ninguém precisaria permitir ou não, o dinheiro era meu e ninguém, naquele momento, me dizia o que fazer com ele. Ali, eu era dona de mim mesma. Não era muita coisa, era algo em torno de duas horas até que minha mãe ligasse para saber se estava tudo bem. Trim... trim... O telefone tocou. - Sim mãe, está tudo bem. Pronto, desliguei. Minha independência voltou. Passou-se mais uma hora. Minha mãe agora chegou para me buscar e tenho que voltar pra casa. Mas, depois de ir ao shopping, meu dia estava ganho. Aliás, a semana toda até chegar a próxima sexta-feira.