Sinto a dor se esvaindo pela carne exposta, pelo sangue que escorre, lentamente, através da pele pálida, antes amarela, mas agora descorada pela alma turva. Junto ao sangue auto-proclamado, ela se dissipa aos poucos, a cada gota que emana do ferimento cravado pelo tempo e agora expresso nos membros... inferiores. Inferiores como aquele que os porta. Quem dera, entao, fosse a aorta ou, quem sabe, a jugular. Se o sangue, agora vagaroso, pudesse jorrar ou até mesmo esguichar como um Tarantino, talvez a mazela do peito, em que não há remédio ou cura conhecida, jorrasse no mesmo compasso e se dissipasse em um ato.
Na carne, se expõe a alma. Na alma exposta, se esconde o que não é belo.
Hoje me veio a vontade de escrever. É quase como uma necessidade. Mas as palavras fugiram sorrateiramente. Estou muda perante o papel.................................................................................!!!!
A manhã era de inverno. Apesar do sol, o vento frio penetrava a janela da sala. Acordei quentinha com o pijama de listras flanelado que minha mãe havia comprado anos atrás. Era tão aconchegante aquele pijama, mais parecia uma colcha de lã embalada no meu corpo. Por isso, mesmo com o passar do tempo e crescendo meus 4 cm que eu tanto me orgulhava, não o largava nas noites frias de inverno. Estava um pouco mais 'fofinha", o pijama, que já havia sido um pouco largo, agora, apesar do comprimento, ficava certinho no corpo. Eu o adorava. O peso a mais, fruto de overdoses de chocolates e cachorros-quentes, minha mãe chama de excesso de fofura. Nunca cheiguei de fato a me preocupar com isso. Aliás, aos 13 anos, que preocupação se tem em vida? Acho que só me preocupava mesmo em dar comida para as tartarugas, que tinham triplicado de tamanho e mal cabiam no aquário (coitadinhas!!), em fazer o dever de casa e poder ir passear no shopping quando a sexta chegasse.
O shopping foi a maior conquista da minha infância. Eu podia ir sozinha!! Lá dentro, eu era independente. Podia rodar por aquele lugar com minha turma de amigos sem que minha mãe tivesse por perto. Podia decidir com o pouco dinheirinho que tinha de mesada qual brinquedo ir na sessão de jogos. Será que gasto tudo em um só ou aproveito uns 3 ou 4 jogos? EU poderia tomar essa decisão. Ninguém precisaria permitir ou não, o dinheiro era meu e ninguém, naquele momento, me dizia o que fazer com ele. Ali, eu era dona de mim mesma. Não era muita coisa, era algo em torno de duas horas até que minha mãe ligasse para saber se estava tudo bem. Trim... trim... O telefone tocou. - Sim mãe, está tudo bem. Pronto, desliguei. Minha independência voltou. Passou-se mais uma hora. Minha mãe agora chegou para me buscar e tenho que voltar pra casa. Mas, depois de ir ao shopping, meu dia estava ganho. Aliás, a semana toda até chegar a próxima sexta-feira.
A palavra é uma coisa estranha. As vezes fica entalada na garganta e mais parece como algo que engasgou. Um espécie de entupimento no peito que leva a esclorose das idéias. As vezes sinto isso, algo como um infarto mental resultante do engasgue da palavra. Quando ela sai, de repente, é como se minha alma tivesse uma nova chance para a vida. Cateterismo ou Stent, não importa. Sobrevivi ao verbo!!!
Bem, sou bi. Não, nao gosto de mulher. Nesse ponto, sempre fui muito ortodoxa e fora de moda. Gosto apenas do cromossoma Y, mas, ainda assim, sou bi. Dois, two, deux, due, duo, zwei. Dúas faces em um mesmo ser. Não sou sol, sou lua, com todas suas fases. Ora crescente, ora minguante (ultimamente mais minguante do que crescente). Acredito até que um dia ser bi ainda vai ser moda, afinal, grandes famosos o eram:
Abraham Lincoln, Presidente dos Estados UnidosAgatha Christie, escritora de mistério Amy Lee (cantora dos evanescence), compositora e pianista Axl Rose ( vocalista do Guns n' Roses), compositor e pianista Brian Wilson, músico (Beach Boys), compositor Britney Spears , cantora Buzz Aldrin, astronauta Cary Grant, ator Carrie Fisher, escritor, ator Cássia Kiss, atris Cazuza, compositor, cantor Celina Borges , cantora (musicas católica) Charles Chaplin ator, diretor, roteirista (cinema) Charles Dickens, escritor Dimitri Mihalas, cientista Edgar Allan Poe, autor Elvis Presley ,cantor, compositor Elizabeth Taylor atris,cinema Emile Zola, escritor Ernest Hemingway, escritor F. Scott Fitzgerald, escritor Fernado Pessoa , poeta , escritor Francis Ford Coppola, diretor Georgia O'Keeffe, artista Gia Marie Garangi, supermodel GIA Graham Greene, escritor Gordon Summer (Sting), músico, compositor Hans Christian Andersen, escritor Honore de Balzac, escritor Isaac Newton, cientista Janis Joplen , cantora Jean-Claude Van Damme, atleta (artes marciais), ator Jim Carrey, ator Jimi Hendrix, cantor, guitarrista e componsitor Kay Redfield Jamison, psicóloga, escritora Kurt Cobain ( ex- vocalista do Nivarna) Larry Flynt, editor de revistas Leon Tolstoy, escritor Linda Carroll Hamilton, atriz americana Liz Taylor, atriz Marilyn Monroe, atriz Mark Twain, autor Mel Gibson, ator Michelangelo, artista Napoleão Bonaparte, general Peter Tchaikovsky, compositor Phil Graham, dono do jornal Washington Post Platão, filósofo, de acordo com Aristóteles
Rita Lee, cantora Robert Boorstin, escritor, assistente especial do Pres. Clinton, Depto. de Estado EUA Robin Willians (Ator)Sigmund Freud, médico Stephen Fry, ator, comediante e escritor. Além de ser portador do trantorno,Stephen gravou um documentário sobre a vida do maniaco depressivo que foi ao ar na BBC. Tennessee Williams, escritor Ulisses Guimarães , político Victor Hugo, poeta Vincent van Gogh, pintor Virginia Woolf, escritora Vivien Leigh, atriz ( E o vento levou) Winston Churchill, Primeiro Ministro Britânico Wolfgang Amadeus Mozart, compositor
Esse negócio de imitar os famosos sempre foi comum e ser em algum ponto como eles é, certamente, uma grande honra. Dizem que os bipolares tem esse dom da inventividade, são verdadeiros gênios em suas áreas. Infelizmente, sinto que esse lado me foi roubado com o tempo. Quando mais nova, acho até que era bem criativa. Inventava brinquedos, escrevia histórias e estudava teatro, criava loucuras para maquetes em colégio e fazia performances musicais incríveis para uma platéia imaginária. Hoje, me restam apenas algumas poesias que surgem ora ou outra como catarse de um peito recheado de mazelas e cicatrizes.
Dor no peito, aguda, fulminante... Surgiu de repente. Pressão interna alta e prestes a fazer boom. Procuro um clínico geral. O diagnóstico não poderia ser mais banal - constipação. A lágrima ficou presa no peito, constipou o duto, travou a saída. O laxativo não relaxou a alma, o supositório supôs dor crônica, o anti-hipertensivo não evitou a explosão e a lágrima permaneceu ali, entalada. Dor lacropétrica. O tratamento é rude, invasivo e pouco eficaz. Devo, inevitalmente, romper as divisórias de mim mesma ou esperar perecer com o tempo.
Constipei, não chorei, fechei os olhos e, então, parti.
Nasci em 1986. Queria ter nascido antes, ido em Woodstock, vivenciado o tropicalismo, quem sabe, até mesmo, a semana de Arte Moderna. Mas, enfim, 86 tá bom. Cazuza estava vivo, exagerado, Renato ditava um faroeste cabloco, Rita em constante mutação, os raimundos ainda não tinham se perdido para igreja e os mamonas aprontavam uma tal de suruba que ninguém entendia, mas adorava. A Simoni viajava num balão mágico, o Rick Martin ainda era hetero e o Mussum ainda atrapalhava por aí.
Tive sempre uma vida mundana. Me embebedava com Biotônico Fontoura, ouvia Sandy e Junior e dançava Back Street Boys escondido. Por volta dos 12, descobri o desejo sexual. Comecei a ensaiar em copos como encostar os lábios (da boca, isso mesmo) e sonhar com o príncipe encantado. Me imaginava, fascinada, encostando minha mão trêmula em seus dedos, enlaçando sua palma com todo meu desejo. Que menina sapeca! Mal sabia que teria mais coisa pela frente. Gente!!! Ele pôs a língua dentro da minha boca. Credo!!! Humm... Mas é bom, gostei disso... Dizem que isso é o tal beijo. É bem melhor que o copo. O gelo era muito mais, anh..., gelado!
Parei no tempo.As horas passam e meus pés estão atados. Já não tenho pelo ou pele e rancaram-me a alma. Minha alma! Oh, meu Deus, foi-se tudo o que eu tinha. A mente, o corpo, a vida. Ah, a vida já não é a mesma... é não-vida. Tudo ficou estático e cinza. Perdeu a cor e o gesto e esqueceu o sentido. Cabeça relapsa, negligente, se fez de cega perante os fatos. E agora... a cegueira é permanente.
Sem muitos subterfúgios, espero um dia poder fazer uma cirurgia de córnea... Ou quem sabe um transplante encefálico. Mas na condição de brasileira dependente do SUS ou do plano de saúde, abdico de toda a ilusão. De qualquer forma, UNIMED não mede minha ânsia e meu peito está em ataque, mas não cardíaco, estriônico, se covalesce nos gestos e se abrupta nas palavras.
- Garçon, desce uma dose, por favor.
- Cachaça, Vodka, Whisky... um coquetel, talvez..?
- O coquetel está bom. Haloperidol, Fernegan e um pontinha de Gim. E por favor, travesseiro na cabeça, copo e gelo na mão.
Hoje estou pensando em Rita. Cabelos vermelhos, peitos pequenos não siliconados, rebeldia incessante. Mulher ora sol, ora lua, e entremeios fera, bicho, grito, canto. Pede desculpas pelo Auê, seus nervos não são de aço... (Acho até que são de papel, rasgados, surrados, rasurados....)
Rita Sophia Lee Helena Jones Camargos e Carvalho....
Nossa, de repente me vi misturada! Uma mistura de tanto e de nada, um vazio que não sei explicar. Necessidade de me misturar, preencher, rechear. Rechear um quadro pálido de finas bordas e tinta esmiuçada. Rechear o que não se vê ou se toca, aquilo que só eu mesma, raramente, encontro.
Rita, minha querida, onde estão meus cabelos rubros? Meu grito está tão mudo e minha rebeldia está se domando. Mas meu peito ainda é pequeno e o interior tão vasto. Há ainda muito o que preencher, vazios errádicos que restaram do tempo. Ritinha, ritinha, meu mundo agora são pílulas de bem-estar...
Pássaro levantou vôo Saiu rasante pelos jardins de margarida Bem - te- vi, Arara Azul Pássaro borboleta Metamórfico... Transeunte... Guiado pelos medos Trilhado pelo desejo (da felicidade) Voa, andorinha, voa Plana suas asas vistosas pelo vento que te guia Descobre seu caminho Que seu canto não é mais solidão Se ajusta à medida... ...tamanho exato do amor em seu coração!
Amigos são a família que escolhemos em vida, a dedo, a tato, em alma. Muitas vezes mais família que muitos familiares. Como definir o amor amigo? Este é eterno, supera o sexo, a cor, o egoísmo, o desejo e as dores. Acolhe sem dizer nada ou pedir justificativa, zela, cuida, ri e chora. Dizem até que o amor é quando o silêncio a dois é confortador. Já o amigo, vai além. Até mudo se entende. O amigo é entendido com apenas um olhar e a partida não é motivo de dor, pois há a certeza do amor infinito, incapaz de ser ceifado até mesmo com a morte.
Hoje celebro as 25 primaveras de um grande amigo. E a ele deixo minha dedicatória.
Thi
(Dedicado ao meu amor, irmão, meu Thico)
Atesto com este documento
Que aos meus amigos devo a minha vida e o seu prosseguimento,
Estou cheia dos "psiquismos". Não se fazem mais especialistas e pesquisadores como antigamente. Ainda que se aceite a complexidade do ser humano, a magnitude e importância da ciência Freudiana, Lacaniana e Junguiana (e assumo serem os estudos do primeiro minha paixão) e o estudo das relações sociais e comportamento humano, os ditos especialistas estão ora óbvios, ora extremamente parciais em suas críticas. Assuntos atuais como o bullying, massacres de Columbine e Realengo, os adolescentes cada vez mais acríticos e as distorções comportamentais que vivenciamos na sociedade atual têm sido alvo de opniões de especialistas cada menos especializados. Respostas prontas como "a culpa é do feminismo que tirou a mulher da instância patriarcal burguesa que representa o núcleo familiar" ou "o assassino de realento sofreu bullying e por isso voltou a escola para matar" deveriam ser inaceitáveis. Esteja a mulher trabalhando ou não, a responsabilidade é de ambas as partes na educação e afeto dispensados a criança desde o seu nascimento. Ensinar a discriminar o certo e o errado, castigar os desacatos e desrespeitos, promover a conscientização dos atos e criar um ser humano capaz de sentimento e exergar o próximo, ser solidário e fazer valer o significado maior da palavra EDUCAÇÃO cabe a ambos progenitores. E o amor fica como base em tudo isso. Superar traumas de infância é uma luta que demanda tempo, mas também afeto e tratamento. Todos são capazes. Mas um ambiente familiar propício, ainda que adaptado a realidade econômica atual, é primordial. Culpar experiências passadas por comportamentos radicais é eliminar toda a ciência psicanalítica na sua crença nas possibilidades de crescimento de cada ser e ruir todo o estudo da psicologia acerca das possibilidades de tratar usando a fala e o corpo em uma busca de saúde física e mental sem que isso resulte em danos a terceiros.
Por essas e outras, o simplismo anda me chocando cada vez mais....
Mundo quadrado Geométrico De tantas formas Cores Seres Sabores Circo humano Palhaadas do bicho homem Gozam de si mesmos Sádicos Errádicos A ignorância é dom ...faz feliz Se não o fosse Circo caia a tenda Palhaço perdia o nariz Leão cortava a juba Platéia esquecia de ir Brasil seria hexa ...na copa do IDH Mas o país é matemágico Milhões somem sem rastro E a roda do mundo faz girar..
Há três mulheres no mundo cujo verbo, verso ou vida me são exemplo. Para mim, são um grão de areia cinzenta num mundo tom de pastel, onde o cinza errante amanhece desnudando tudo que há em volta, estilhaçando verdades impostas e dando cor nova ao que cerca. Um tom cinza e cor, ao mesmo tempo, pois o pastel já é dono de tudo o que mais se segue.
Essas Divas, guerreiras, sempre olharam muito em volta, mas não ficaram estáticas. Pra mim, cravaram seu nome no mundo, ou ao menos no meu mundinho particular.
Primeiro, Clarice (Lispector). Nela, me defino. Cito um de seus pensamentos no qual me confundo, seu Devaneio:
"Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma idéia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, ás vezes erro completamente o que prova que não se trata de intuição, mas de simples infantilidade. Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos. E até que ponto posso controlá-los. (..) Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de me tornar adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. Não sou madura bastante ainda. Ou nunca serei."
Será isso Clarice ou , quem sabe a ousadia, talvez um pouco de Sophia? Entre os bipolares, sinto que a incerteza é unânime, independente das peculiaridades de cada um. Incerteza do gesto, do não gesto, do verbo, do que vem de dentro e se "verbeia" exteriorizando o que não se sabe. Ser bipolar não é fácil mas, de certa forma, da tempero á vida.
Minha segunda musa é Pagu, Patrícia Galvão. Muitos talvez a conheçam pela música de Rita e Zélia, outras duas mulheres fantásticas. Desde pequena, a frente do seu tempo, Pagu fez história como guerreira até nos deixar aos 53 anos de idade. Para as várias Pagus que ainda se destacam por ai, deixo minha sincera gratidão e exímio orgulho. Gratidão não pelo exemplo, apenas, mas por realmente lutarem por uma ideologia, tentarem fazer do mundo algo melhor, olharem além dos seus umbigos, muitas vezes fora de moda, sem aquele tanquinho sarado tanto exigido pelo olhar voraz dos machos da espécie. Minha Pagu não merece só referência, mas ilustração. Eis um vídeo para qualquer um desejam ver alguém que fez a vida valer a pena:
E por último, mas não menos importante, minha mãe. Jamais poderia deixar de citá-la. A flor, a forma, o fruto, a casca. A natureza completa de uma guerreira. Psicóloga, poetisa, humana e de carne, que ora sangra, ora se alegra, ora grita, ora chora, mas se ergue. Mãe, mais do que nunca, parabéns pelo seu dia.
Deixo aqui um poema dela, meu exemplo e minha força.