sexta-feira, 13 de maio de 2011

Tim tim..

Parei no tempo.  As horas passam e meus pés estão atados. Já não tenho pelo ou pele e rancaram-me a alma. Minha alma! Oh, meu Deus, foi-se tudo o que eu tinha. A mente, o corpo, a vida. Ah, a vida já não é a mesma... é não-vida. Tudo ficou estático e cinza. Perdeu a cor e o gesto e esqueceu o sentido. Cabeça relapsa, negligente, se fez de cega perante os fatos. E agora... a cegueira é permanente.
Sem muitos subterfúgios, espero um dia poder fazer uma cirurgia de córnea... Ou quem sabe um transplante encefálico. Mas na condição de brasileira dependente do SUS ou do plano de saúde, abdico de toda a ilusão. De qualquer forma, UNIMED não mede minha ânsia e meu peito está em ataque, mas não cardíaco, estriônico, se covalesce nos gestos e se abrupta nas palavras.

- Garçon, desce uma dose, por favor.
- Cachaça, Vodka, Whisky... um coquetel, talvez..?
- O coquetel está bom. Haloperidol, Fernegan e um pontinha de Gim. E por favor, travesseiro na cabeça, copo e gelo na mão.

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