Essas Divas, guerreiras, sempre olharam muito em volta, mas não ficaram estáticas. Pra mim, cravaram seu nome no mundo, ou ao menos no meu mundinho particular.
Primeiro, Clarice (Lispector). Nela, me defino. Cito um de seus pensamentos no qual me confundo, seu Devaneio:
"Sou o que se chama de pessoa impulsiva. Como descrever? Acho que assim: vem-me uma idéia ou um sentimento e eu, em vez de refletir sobre o que me veio, ajo quase que imediatamente. O resultado tem sido meio a meio: às vezes acontece que agi sob uma intuição dessas que não falham, ás vezes erro completamente o que prova que não se trata de intuição, mas de simples infantilidade. Trata-se de saber se devo prosseguir nos meus impulsos. E até que ponto posso controlá-los. (..) Deverei continuar a acertar e a errar, aceitando os resultados resignamente? Ou devo lutar e tornar-me uma pessoa mais adulta? E também tenho medo de me tornar adulta demais: eu perderia um dos prazeres do que é um jogo infantil, do que tantas vezes é uma alegria pura. Vou pensar no assunto. E certamente o resultado ainda virá sob a forma de um impulso. Não sou madura bastante ainda. Ou nunca serei."
Será isso Clarice ou , quem sabe a ousadia, talvez um pouco de Sophia? Entre os bipolares, sinto que a incerteza é unânime, independente das peculiaridades de cada um. Incerteza do gesto, do não gesto, do verbo, do que vem de dentro e se "verbeia" exteriorizando o que não se sabe. Ser bipolar não é fácil mas, de certa forma, da tempero á vida.
Minha segunda musa é Pagu, Patrícia Galvão. Muitos talvez a conheçam pela música de Rita e Zélia, outras duas mulheres fantásticas.
Desde pequena, a frente do seu tempo, Pagu fez história como guerreira até nos deixar aos 53 anos de idade. Para as várias Pagus que ainda se destacam por ai, deixo minha sincera gratidão e exímio orgulho. Gratidão não pelo exemplo, apenas, mas por realmente lutarem por uma ideologia, tentarem fazer do mundo algo melhor, olharem além dos seus umbigos, muitas vezes fora de moda, sem aquele tanquinho sarado tanto exigido pelo olhar voraz dos machos da espécie. Minha Pagu não merece só referência, mas ilustração. Eis um vídeo para qualquer um desejam ver alguém que fez a vida valer a pena:
Desde pequena, a frente do seu tempo, Pagu fez história como guerreira até nos deixar aos 53 anos de idade. Para as várias Pagus que ainda se destacam por ai, deixo minha sincera gratidão e exímio orgulho. Gratidão não pelo exemplo, apenas, mas por realmente lutarem por uma ideologia, tentarem fazer do mundo algo melhor, olharem além dos seus umbigos, muitas vezes fora de moda, sem aquele tanquinho sarado tanto exigido pelo olhar voraz dos machos da espécie. Minha Pagu não merece só referência, mas ilustração. Eis um vídeo para qualquer um desejam ver alguém que fez a vida valer a pena:
E por último, mas não menos importante, minha mãe. Jamais poderia deixar de citá-la. A flor, a forma, o fruto, a casca. A natureza completa de uma guerreira. Psicóloga, poetisa, humana e de carne, que ora sangra, ora se alegra, ora grita, ora chora, mas se ergue. Mãe, mais do que nunca, parabéns pelo seu dia.
Deixo aqui um poema dela, meu exemplo e minha força.
Amor
O meu amor por você
Como lhe dizer
se não tem fórmula ou conceito?
Pois é amor de fazer (e viver)
E fala (alto!)
nos gestos miúdos
e pequeninos feitos:
o preparo do bolo
a estória
o laço no sapato
a bainha na calça
a conversa a caminho da escola
a cabeça em meu braço
o mingau quentinho no prato
a reprimenda
o colo...:
Doses concentradas de afeto
em minúsculos frascos...
Obrigada, mãe, por todos esses frascos!
Neguinha. Bom te ver escrever. Com toda personalidade/passionalidade. Bom acompanhar a história da sua vida (ainda que não completamente presente).
ResponderExcluirà la Macabea:
"que cada um a reconheça em si mesmo porque todos nós somos um e quem não tem pobreza de dinheiro tem pobreza de espírito ou saudade por lhe faltar coisa mais preciosa que ouro – existe a quem falte o delicado essencial.” (Clarice Lispector)
a ti não falta.
E se fosses ainda um canal...
"Evidentemente um canal tem as suas nervuras
As suas nebulosidades
As suas algas
Nereidazinhas verdes, às vezes amarelas" (Pagu)
eu percorreria sem medo. Porque confio. Porque sei que essas águas cuidadosamente desaguam em um lugar repleto de bons sentimentos.
∞
À Mamãe meus parabéns!!
A TECELAGEM pode não ter sido perfeita, mas como todo tecido feito a mãos-de-fada é ainda mais especial porque é único!
Fica aqui um beijinho, com todo meu carinho.
F.
F., como já lhe disse várias vezes, em mim, você é, foi e sempre será matéria prima de toda minha essência. Melhor parte do meu ser. Professora, mãe, irmã, amiga, amada. Suas palavras em mim soam como cítaras suavas tocando a mais bela das sonatas. Muito obrigada pelo verbo, pelo elo e existência.
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